Pavilhão Penélope
O pavilhão temporário “Penelope” é inspirado na obra Ttéia, de Lygia Pape, nas formas orgânicas de Frei Otto e Calatrava, e no Woods of Net, de Toshiko Horiuchi. A ideia central é criar um espaço de descanso e contemplação do parque, a partir da Ilha dos Amores, relacionado com a organicidade das estruturas de teia pensadas para a execução do não-objeto.
No não-objeto a trama era aleatória e gerada a partir da vontade dos espectadores e participantes. Usando as tramas como referência, o pavilhão apresenta uma organização que não se altera, porém mantém o aspecto flácido da primeira obra.
Um paralelo entre os textos Hertzberger, Flusser e Gullar, trabalhados em aula, justifica a elaboração de um pavilhão por embasar a interação, efemeridade e a experiência corporal sobre a forma arquitetônica estática.
Hertzberger no livro Lições da Arquitetura, nos capítulos intermediários, irá criticar o engessamento funcional das construções e a maneira como elas limitam a interação social. Ele argumenta que a arquitetura deve ser pensada como um catalisador, que funcione como um palco para o incentivo da ação humana sem ou com pouca definição prévia.
A estruturação foi pensada para ser armada por colunas de aço em que a trama é feita de corda taifun branca com cerca de 16mm de diâmetro. Elas são comumente usadas em playgrounds ficariam suspensas e tensionadas por cabos acopladas em suas extremidades e ao solo. Além disso haveria uma segunda trama por baixo mais fina feita de linho por ser um tecido translúcido que permita a iluminação natural embaixo do pavilhão. Destacando a preservação das árvores ao redor para usá-las como apoio também para as tramas.
Essa filosofia vai ao encontro da justificativa de elaboração de "Penelope" pois a adaptabilidade, no estímulo a interação e na ênfase do usuário nortearam o projeto. Acreditamos que a atração para a apropriação da atmosfera construída resida, principalmente, no convite ao contato físico: escalando, deitando e tramando seus próprios fios.

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