Análise crítica das composições de Gustavo Martins
A primeira composição de Gustavo Martins trabalha muito bem a ideia de vazio. Nas fotos, a folha branca posicionada no meio dos ambientes transmite a sensação de uma fotografia incompleta, funcionando, paralelamente, como peças perdidas de um quebra-cabeças. Dessa forma, a composição força o observador a participar dela, uma vez que cabe a ele completar o espaço em branco produzido pelas folhas, e isso a torna intrigante e divertida observar. Além disso, o contraste entre o escuro do ambiente e o claro da folha potencializa essa função da composição, haja vista que o papel fica extremamente branco. Sem uma presença marcante de amassados ou sombras, a percepção de vazio se fortalece com a presença do papel. Assim, as fotografias conversam muito bem entre si ao explorarem a mesma temática e formarem, em conjunto, um quebra-cabeças que chama seu observador para dentro da obra.
Essa composição se mostra intrigante uma vez que nos parece contar uma história por meio da transmissão de sentimentos produzidos pelos reflexos e pelos objetos em si. Da primeira para a terceira foto, é possível perceber uma transição gradativa do caos, promovido pelo abstrato dos reflexos e do jogo entre claro e escuro, para o estático, representado pela figura geométrica do quadrado. A foto de baixo fortalece ainda mais essa percepção, haja vista que representa de maneira mais clara essa transição ao trazer o movimento, por meio dos reflexos, e o linear, com o surgimento de uma figura circular, na mesma imagem, como se anunciasse o que está por vir. Desse modo, a composição se mostra bastante coesa com fotografias que interagem muito bem entre si e cumprem um papel importante na montagem dessa "história". Há também, na terceira imagem, uma certa quebra de continuidade no enquadramento foto, que gera um buraco no canto inferior direito, entretanto não é uma ação significativa a ponto de atrapalhar a percepção da composição. Ao meu ver, trata-se apenas de um pequeno deslize na hora da montagem.


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